Acontece às vezes deixarmos coisas que sabemos serem difíceis, ou que não vislumbrámos uma solução, para o fim, para aquela altura em que o tempo é tão pouco ou nenhum que algo que se faça tem necessariamente que servir já que o tempo não permite mais.
Aconteceu com esta capa do caderno de Domingo do Jornal de Notícias. Um dia caótico na redacção, mudanças infindáveis no plano. Redesign de páginas e páginas prontas e… as horas, os minutos, os segundos a desaparecerem. Tive de “despachar” literalmente a capa em 2 ou 3 minutos.
Problema 1: Tinha o dobro dos caracteres que habitualmente vão nesta capa. Problema 2: ainda não tinha podido ler uma linha do que havia escrito o jornalista. Problema 3: não havia tempo etc., etc.
O resultado desagrada-me e muito, mas o caminho era este seguramente. Deixar tudo para o fim não compensa, mas aguça os sentidos. Neste caso foi o que aconteceu. A capa teria muito potencial se fosse desenhada com tempo. Ajusta-se perfeitamente ao conteúdo, reforça-o, torna-o legível, perceptível, simplifica a mensagem, a notícia, antes mesmo de começarmos a ler. O problema é formal, porque é demasiado desequilibrada e merecia pelo menos 10 minutos de dedicação.
